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Existem desenhos e programas de televisão que marcam gerações, hoje falarei sobre alguns que foram importantes para mim ( e que eu tento assistir, sempre que a rotina deixa brechas).

Todos conhecem os clássicos da TV cultura: Rá-tim-bum, depois Castelo Rá-Tim-Bum, Glub Glub… Do primeiro desses, eu adorava o “senta que lá vem história”, a SSSSílvia…. lembram?

O castelo rá-tim-bum… nossa, eu gostava de tudo, do artista maluco, do ”"porque sim… não é resposta! Por que será que…” com o Telekid (não sei se é esse mesmo o nome, de repente, os nomes deos personagens começam a se confundir e percebo que, provavelmente para gravar algumas fórmulas de física(agora não mis úteis), meu cérebro tenha deletado essas informações do passado, que considero de grande importância.

Achei até esse site não-oficial do castelo.

Uma coisa que realmente é engaçada, pelo menos para mim, é que, sempre que o tópio “tv shows” aparece em discussão nas aulas de inglês, as pessoas não conseguem evitar, sempre acabam falando desses desenhos, séries infantis que marcaram…

Mas, será que alguns dos que passam atualmente, são desenhos dos quais valerá a pena as crianças se lembrarem no futuro? 

Os desenhos (suspiro e meu olhar se perde para além da tela desse monitor), como não lembrar deles…? Muitos dos quais já foram tirados do ar.

Eu adorava “Babar”, o elefante, alguém se lembra? Também passava na TV Cultura.

Ah.. um clássico “As aventuras de Tintin” o jornalista francês com seu fiel escudeiro Milu. Talvez tenha começado com esse desenho meu interesse pela profissão de jornalista, mas falemos disso numa outra hora.

Correndo um pouco com o tempo… o também clássico “Doug”, desenho da Nickelodeon. O cotidiano de Doug e costelinha (seu cachorro), a paixõ dele por Paty Maionese, seu melhor amigo verde Skeeper (mais uma vez, não confirmo os nomes, por favor corrijam-me)

 

 

 

imagem daqui

 Mais tarde também, os desenhos da Nickelodeon (quando as portas da TV fechada se abriram para mim: “Hey Arnold!” e “Ginger”… Para uma saudade, o vídeo da abertura da série. Com a música cantada pela Macy Gray.

Aqui um post em homenagem ao Arnold, “football head” em inglês, cabeça de bigorna para nós brasileiros.

Compras – drops (4)

Finalmente, depois de muito tempo, aqui estou eu.

Com coisa nova, de verdade, nada de folhas mofando tiradas da gaveta.

observação para evitar problemas: os fatos e pessoas descritos nesse conto não foram baseados em pessoas/fatos reais, qualquer semelhança É mera coincidência.

Compras

 O braço de John percorreu aquele curto espaço de ar rapidamente, com força, energicamente, ao completar sua trajetória, os dedos abriram-se como automaticamente, deixando cair ao chão a folha de papel amassada. Isso não é você, ele insistia, olhando para os olhos dela, enquanto ela, sentada na cadeira do café a que iam sempre, na mesinha da calçada em que sempre ficavam, permanecia estática.

            _ Eu, ele disse enfaticamente, como sempre fazia ao comentar seus textos, não importava qual fosse, ele começava com “eu”, talvez para tentar ressaltar que era o que ele realmente achava, era o que ele verdadeiramente pensava. Ela já o sabia, desde o primeiro texto que pedira para ele ler, o quão sincera era sua opinião. Mas ele não abria mão daquele jeito único, que seria seguido, ela já imaginava, por comentários negativos despejados sobre ela sem dó nem piedade, que não causavam o mesmo efeito de antes.

            Não, ele não se tornara previsível, era ela que se sentia desse jeito, pois tudo que escrevia soava falso e forçado, e ao entregar as folhas para John uma semana antes, ela já construíra a cena da discussão que teriam na cabeça.

            _ Acho que isso está muito ruim. Eu…, fez uma pausa estratégica, típica daqueles que dominam a arte do discurso público, odiei. Ela tentou expressar alguma reação, uma cara de tristeza, raiva, frustração. Nada, ela nada sentia, era como se nada escutasse. Observava como uma espectadora de um filme mudo, e aquela posição, aquela postura, pareceu-lhe natural.

            Ele sentou-se em sua frente. Olhou-a mais uma vez, tentou buscar os olhos dela, que pareciam, mais que distantes, ausentes.

_ Se você não está dando atenção a uma única palavra que estou dizendo, porque me deu isso para ler?

Ele estava certo, ela sabia que ele estava certo. E sabia também que ele odiava se sentir ignorado, por mais óbvia que essa afirmação pareça, para ele, parecia ser ainda pior. Ela lembrou-se do motivo, de por que o escolhera para ler seu texto. Bom, ele nunca mentiria para ela, e não falava por meias palavras, por mais que doesse, ele falava, como que sem pensar. Uma das poucas características pueris que resistia em permanecer nele.

_ Acho melhor deixar isso para lá, ela disse, e acrescentou, não é nada importante mesmo. É melhor você não perder seu tempo. Antes que ele pudesse dizer uma palavra de protesto, ela, levantando delicadamente a mão no ar, chamou o garçom.

Deixando-o no hotel, ela o abraçou. Ele teve a impressão de que estava demorando-se naquele gesto mais do que de costume. Beijou-o no rosto, e não no ar, como costumava fazer, tentando demonstrar o quanto estava grata por tê-lo como amigo, por poder contar com sua opinião honesta, apesar de não ter escutado ele atentamente ele, a ele não pertencia a culpa, mas sim a ela. E ela sabia disso há muito tempo.

Deixou as chaves em cima da mesa, junto com as contas para pagar. Abriu a geladeira, procurando por algo para beber. Fechou-a, não tinha quase nada. Estirou o corpo no sofá. Ligou a televisão, passando pelos canais. Desligou. Ligou o chuveiro. Enquanto as gotas de água massageavam seus ombros, sentia que elas não a lavavam. Elas não a livrariam dessa vez. Ela teria que parar com essa atitude irracional e infantil de arrumar desculpas para não pensar a respeito. Para não pensar na verdade. E a verdade era… A verdade era que se acomodara.

Acomodara-se, por quê? Porque se acostumara. A quê? Aos elogios. Aqueles que elogiam demasiadamente, é sabido, que pecam. Mas aqueles do que aceitam os elogios, acostumam-se com eles, como se fossem um sinal de que são suficientes, pecam ainda mais. 

E depois dos elogios, veio a preguiça, que se instalou em seu cérebro, adentrou sua alma, amortecendo sua sensibilidade, para instalar-se em seus dedos como que os adormecendo. Lia os escritos alheios com uma ponta de inveja, mas, depois, a inveja foi substituída por uma dose de resignação.

Eu não tenho talento. Eu não tenho talento. Não tenho, simplesmente não tenho. Enganaram-me. Não, enganei-me. Apenas não o tenho. Fácil, convenientemente fácil, aceitar. Aceitar a afirmação que negava o que ouvira desde os tempos de pré-escola. Mais que aceitou, ela o percebia agora, com o barulho da água no piso, com os pés chapinhando na água, ela mais que bebera, se cercara, se afogara na resignação.

Por quê? Porque lhe era mais conveniente. Porque soava como natural. Como alguém reconhecendo a derrota, antes de iniciar a guerra, porque já travara uma batalha anteriormente, e esta acabara mal sucedida. Estaria disposta a parar de usar o tempo (e a falta dele) como desculpa? Entregar-se-ia de corpo e alma (por mais lugar-comum que isso soasse) ao que era sua paixão desde que aprendera a escrever? Penetraria surdamente no reino das palavras?

Desligou o chuveiro, e envolveu-se na toalha. Já vestida, ainda com o cabelo molhado, olhou para a escrivaninha, com os cadernos de anotações. Revolveu as folhas, à procura de algo. Deteve-se num pequeno pedaço de papel reciclado.

Pegou sua bolsa, e, trancando a porta atrás de si, verificou se tinha dinheiro suficiente para ir ao mercado.

drops (3)

A falta de tempo aliada com o fato de que tenho textos que fiz há algum tempo aqui em casa, levaram-me a cair na tentação de postar umas coisas mais “antigas”, algumas que eu fiz para fins escolares até. Mas, espero que considerem minha (boa?) intenção e dou continuidade aos drops.

Talvez alguns de vocês se lembrem do caso da astronauta da NASA, Lisa Nowak, que foi presa por ciúme doentio em 2007. Lisa tentou seqüestrar e agredir a engenheira militar Collen Shipman, por ela ser sua rival numa disputa amorosa envolvendo William Oefelein, piloto da nave Discovery numa missão em dezembro de 2006.

 Baseando-me nessa notícia de jornal que continha informações sobre esse caso, escrevi um pequeno conto (?).

Astronauta ciumenta tenta atacar rival ORLANDO (EUA)

 - A astronauta da agência espacial americana (Nasa) Lisa Nowak, de 43 anos, que integrou a tripulação do ônibus espacial Discovery em julho de 2006, vai ser indiciada por tentativa de assassinato após tentar seqüestrar e agredir a engenheira militar Colleen Shipman na última segunda-feira. Segundo ela, Colleen seria sua rival na disputa pelo amor de outro astronauta. Agora, Lisa terá que levar junto ao corpo um dispositivo de rastreamento por satélite

O homem no meio do triângulo amoroso é o oficial da Marinha William Oefelein, piloto da nave Discovery durante uma missão em dezembro. Lisa, que tem três filhos e é casada com um capitão da Marinha, foi detida após viajar de sua casa em Houston, no Texas, até Orlando, na Flórida, onde mora Colleen. Usava uma peruca e um sobretudo para esperar Colleen, que viria num vôo vindo de Houston. Interrogada, Lisa afirmou que foi de Houston a Orlando sem parar (a distância é de 1.600 quilômetros), usando uma fralda para não ter de ir ao banheiro. Chegando na cidade, ela seguiu Colleen até o seu carro, que estava parado num estacionamento.

Segundo o relato de Colleen, Lisa tentou entrar em seu carro e a atacou com um spray de pimenta, causando uma perda momentânea de sua visão. Já no carro de Lisa foram encontradas uma carta que descreve seu amor por Oefelein, além de e-mails entre ela e o astronauta. Lisa afirmou que seus contatos com Oefelein eram ½algo mais que uma relação de trabalho, porém menos que uma relação amorosa”.

Oefelein é solteiro, mas, segundo uma biografia da Nasa, tem dois filhos. Um porta-voz do Departamento de Polícia de Orlando afirmou que ½é um caso muito triste. É uma pena que agora ela esteja do outro lado da lei.” Já o porta-voz da Nasa no Centro Espacial Johnson, em Houston, informou que até o momento a condição de Lisa como astronauta da agência espacial não mudou.

A astronauta tem mais de 1.500 horas de vôo em 30 tipos diferentes de aeronave. De acordo com o jornal americano Orlando Sentinel, Colleen é engenheira no 45º Esquadrão de Apoio a Lançamentos, em uma base próxima ao Centro Espacial Kennedy.

 

 

Um pouco tarde demais

 

        Naquela manhã fria de 2ª feira, Lisa acordou mais cedo do que de costume, levantou-se da cama e olhou indiferentemente para o homem que ainda dormia. O homem com quem dividia o sono e a casa, aquele chamado por “marido”.

        Marido que, supostamente, deveria fazê-la feliz, apóia-la amá-la, “na alegria, na tristeza, na saúde, na doença, até que…”. Coisas ditas num dia que parecia distante da rotina sem graça a que estavam atrelados agora.

        Ela tomou banho, vestiu uma roupa confortável, tomou café rapidamente e deu um beijo nos filhos. Entrou no carro e deixou o motor aquecendo, subiu ao quarto e pegou a bolsa e a sacola com as compras feitas no dia anterior.

        Ao fechar a porta de casa, esboçou um meio sorriso, satisfeita de ter planejado tudo antecipadamente e de ter executado com perfeição. O marido acordaria e  levaria as crianças ao colégio, crianças estas que acharam normal quando contou sobre a viagem a trabalho, acostumadas com a ausência da mãe.

        Entrou no carro e dirigiu quarenta quilômetros, fora de sua cidade, parou no posto de gasolina, foi ao banheiro e voltou a dirigir. Era dia vinte e seis. Fazia seis meses, seis meses que pareciam ser melhores do que os últimos catorze anos de casamento. Eram colegas de trabalho, mas de uma hora para a outra ele se tornara seu pilar, sua sustentação, uma fonte de alegria em sua vida sem graça.

        Entretanto, nas últimas semanas, ela percebera que ele estava distraído, inquieto até mesmo.

        Collen não tinha esse direito, de deixá-lo desconcertado, de ocupar o tempo dele, de rir junto a Oefelein. Para ela, ele era apenas uma distração, um rosto que se juntaria a outros da tripulação em sua memória. Enquanto que para Lisa, ele era sua chance de ser feliz, o estopim para o pedido de divórcio, uma vida feliz a dois.

        Lisa foi encontrada morta mil quilômetros de sua casa, a seiscentos metros da residência de Collen. Morreu num acidente de caro, ao fazer uma curva acentuada na ponto de Houston. Descartou-se a hipótese de suicídio, pois, junto a ela, foi encontrada uma agenda na qual escrevera sobre seu relacionamento com Oefelein, seu casamento infeliz e o minucioso plano de deter Collen.  

 

 texto de 27 de fevereiro de 2007, modificações 21 de março de 2009

 

 

 

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