
Este post contém spoilers do filme Waking Life
Waking Life é um desses filmes que você pega na locadora por indicação de amigo. Você olha, lê a sinopse no verso da embalagem do dvd, mas não imagina “para onde o filme vai te levar”.
Sem exagero, é um dos filmes da minha vida.
Basicamente, o roteiro conta a história de um jovem, que não consegue acordar de um sonho. Ele visita e conversa com várias pessoas, com as quais tem discussões filosóficas,sobre o mundo onírico, sobre a vida e a natureza humana.
Pode parecer muita informação para um filme tão curto… talvez seja. Eu, nos primeiros cinco minutos de filme, fiquei estática em frente à televisão.
Certo, talvez não estática, eu dei pause, peguei meu caderno de anotações às pressas, voltei para o início e comecei a anotar alguns dos muitos diálogos.
Waking Life foi gravado com os atores primeiro, e depois o diretor Richard Linklater passou o filme para Bob Sabiston que, juntamente com sua equipe de 30 animadores, trabalhou cada cena com computação gráfica, transformando o filme em uma animação.
O filme recebeu 3 indicações ao Independent Spirit Awards, nas categorias: melhor filme, melhor diretor e melhor roteiro. E ganhou os prêmios Cinema do futuro e Lanterna Mágica, no Festival de Veneza.
A chave desse roteiro, na minha modesta opinião, está no enlace das histórias.
O diálogo inicial que transcreverei aqui, é um dos meus favoritos:
” A criação vem da imperfeição. Parece ter vindo de um anseio e de uma frustração.
É daí, eu acho, que veio a linguagem. Veio do desejo de trascender o nosso isolamento e de estabelecer ligações uns com os outros.
Devia ser fácil quando era uma questão de mera sobrevivência. Mas fica realmente interessante quando usamos esse mesmo distema de símbolos para comunicar tudo de abstrato e intangível que vivenciamos.
Quando falo ”amor” o som sai da minha boca e atinge o ouvido da outra pessoa. Viaja através de um canal labiríntico em seu cérero através das memórias de amor ou falta de amor.
O outro diz que compreende, mas como sei disso? As palavras são inertes…São apenas símbolos, estão mortas. E há muito da nossa experiência que é intangível. Tanto do que percebemos é inexprimível, é indízível.
E, ainda assim, quando nos comunicamos uns com os outros…e sentimos ter feito uma luigação, e termos sido compreendidos, acho que temos uma sensação quase como comunhão espiritual. Essa sensação pode ser transitória, mas é para isso que vivemos“
Outras reflexões são levantadas, como “quais são as barreiras que impedem as pessoas de alcançarem, minimamente, seu potencial? A resposta para essa pergunta pode ser encontrada em outra pergunta, que é : Que característica humana é universal, o medo ou a preguiça?”
Essa questão da ligação que buscamos com as pessoas além de ser algo que realmente ocorre na minha vida, veio à minha cabeça enquanto assistia ao curta de Gus Van Sant “Le Marais“, que faz parte de “Paris, Je T’aime“. É singelo e sutil, uma crítica sobre o curta, com a qual concordo http://www.contracampo.com.br/84/artlemarais.htm .
Ficha técnica:
Gênero: Animação
Tempo de Duração: 97 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2001
Site Oficial: www.wakinglife.com
Estúdio: Detour Film Production / Independent Film Channel / Line Research / Thousand Words
Distribuição: 20th Century Fox Film Corporation
Direção: Richard Linklater
Roteiro: Richard Linklater
Produção: Tommy Pallotta, Jonah Smith, Anne Walker-McBay e Palmer West
Música: Glover Gill
Fotografia: Richard Linklater e Tommy Pallotta
Direção de Arte: Bob Sabiston
Edição: Sandra Adair
Lariii!!!
Semana passada eu estava pensando sobre isso! E seu blog continua fazendo minha algria haha=)
Muito interessante…
acho q vou aproveitar as mini férias p ver esse filme.
=***
saudades=T
É verdade. Você passa a ver a vida com outros olhos de pois de ver esse filme. Fiz um post sobre ele, com uns trechos em vídeo. Quiser, dá uma passada por lá.
Parabéns pelo blog!
(Nossa, eu escrevi ‘de pois’ no comentário de cima…)
Oi, Larissa. Seu comentário tinha caído como spam e eu quase não me lembrava que tinha vindo aqui. Mas tudo ok, comentário respondido por lá.
E o Paris, Je T’aime é arte pura. Meu preferido foi aquele dos pais mímicos.
Beijo.
(haha, só quero deixar claro que a piscadela aí de cima era, na verdade, um fecha-parêntesis)
Olha garota, tô contigo e não abro; adorei o filme, e não pela técnica, mas pelos diálogos. Mesma linha de filme: “O Mundo de Sofia.”
Assim como você, peguei meu carderninho e anotei muita coisa. Logo devo colocar comentários sobre ele em meu blog.
Boa noite amiga.
Olá, sabe que não vi o filme “o mundo de sofia”? Apenas li o livro, mas me falaram coisas boas sobre ele.
Bom saber que não sou a única a fazer esse tipo de coisa :)
Vou passar no seu blog, espero ver o seu post logo.
Até mais, amigo! E bem-vindo.