Pra quem não vai viajar nessas férias…

Outra boa pedida é o MASP – Museu de Arte de São Paulo – Assis Chateaubriand.
Com boas exposições em cartaz, como Desenhos Espanhóis do século XX – Coleção Mapfre. Que conta com desenhos de Picaso, Dalí, Tà pies, Picabia e Miró.
Além da arte dos artistas espanhóis, há obras também do francês Francis Picabia, dos uruguaios Joaquín Torres-García e Rafael Barradas (adorei os trabalhos desse último), da ucraniana radicada na França Sonia Delaunay (1885-1979).
Vá e aproveite pra ver as outras exposições!
TEXTO DO CURADOR DO MASP, TEIXEIRA COELHO Os desenhos da Coleção Mapfre no MASP
O papel contém a verdade da arte. Se essa afirmação for demasiado forte, não será exagero dizer que o papel contém boa parte da verdade da arte. É no desenho sobre papel que se encontra aquilo que Lévi-Strauss chama de o principal requisito da arte e do artista: o métier. Para o antropólogo, métier nada mais é que, de um lado, a �demorada observação de seu objeto� e, de outro, a capacidade de representá-lo verazmente. É nesse sentido que o papel, em particular o papel do desenho, contém, senão roda a verdade da arte de um artista, sem dúvida a maior parte da verdade de sua arte. Demonstram-no não apenas os inúmeros estudos preparatórios de Picasso para seu Gernica como todos esses outras aproximações a seu objeto feitas por artistas contemporâneos de vanguarda que aparentemente nada mais têm a ver com esse clássico que é o desenho e que, no entanto, a ele se entregam repetidamente e com tanto emprenho que não raro esses estudos se transformam em �obras� tão apreciadas, estética e economicamente, quanto as obras finais a que dão origem. E quando não é esse o caso, o recurso ao desenho sobre papel freqüentemente serve para o artista nele expressar o que sente, do modo mais pessoal e livre possível – uma vez que, por um incompreensível hábito cultural, a obra de arte em papel continua sendo menos valorada que as outras, permitindo ao artista entender que o que põe no papel interessará apenas a si mesmo e será para �uso pessoal�.
O que não deixa de ser uma sorte para as magníficas coleções que podem ser então formadas, como esta da Fundação Mapfre que reúne autênticas obras-primas da arte mundial assim preservadas pela iniciativa espanhola. Para o MASP, que igualmente tem uma ampla coleção de obras em papel, é um especial prazer poder receber, e apresentar ao público brasileiro, estes momentos altos da arte do século XX, algo possível graças à cooperação entre o museu e a iniciativa privada que sabe reconhecer a função relevante que têm a desempenhar na divulgação da cultura.
Outra exposição, também no MASP, mas com obras do acervo é “A Arte do mito”, em cartaz desde 3 de outubro do ano passado.
ARTE DO MITO
Mito, arte, realidade
O mito é o nada que é tudo, diz um verso de Fernando Pessoa em Mensagem. O homem é um animal que se conta histórias, é isso que o diferencia entre as espécies. E o mito é uma das primeiras histórias, das primeiras formas do sentido, que o homem se deu. Jacob Bryant, citado por Edgar A. Poe no famoso conto sobre a carta roubada, escreveu que nos esquecemos de que não acreditamos nas fábulas e continuamos agindo a partir delas como se fossem realidades existentes.
O mito começou a entrar para a realidade primeiro na literatura oral e, depois, por aquilo que se chama arte. Toda a primeira grande arte da humanidade, a chamada arte clássica, depende do mito que, assim, se na arte não é tudo, por certo é muita coisa. E é um gênero que, com a paisagem, a natureza morta e o retrato, orienta a nova exposição permanente do MASP. Um gênero feito de obras na aparência fáceis de entender. Tudo nelas parece familiar. Mas, o que mesmo diz O julgamento de Paris ou o Himeneo de Poussin?
Esta mostra propõe uma reapropriação sensível destas fábulas que continuamos a tratar como realidades. A coleção do MASP é rica neste gênero e iniciar por ele a comemoração de seus 60 anos era uma evidência, em dupla homenagem à arte e àquilo que, diz Pessoa, “sem existir nos bastou / por não ter vindo foi vindo / e nos criou”: o mito, essa carta roubada (que nos roubamos) e que no entanto segue à vista – bem oculta.
Teixeira Coelho
Curador-coordenador, MASP
ARTE DO MITO
Por que o mito? Porque o acervo do Masp possui um núcleo de obras com temas mitológicos extraordinário, num conjunto que merece ser revelado e explorado. E porque apresentar obras de técnicas e períodos diferentes com temas afins é uma das formas melhores para se evidenciar estilos individuais, visões originais – condição da existência da própria arte – e especificidades culturais de cada época; para se perceber contrastes e idéias partilhados ao longo dos séculos; para se descobrir que um nu de Manet ou Renoir pode ter mais pontos em comum com a antiguidade do que o simples “clichê” de pintores revolucionários a eles atribuído deixa suspeitar. Uma exposição sobre o mito permite, também, um retorno à nascente da cultura ocidental através das fontes literárias, que ajudam a decifrar as narrativas.
O mito é, portanto, o fio condutor desta exposição, com o seu emaranhado de lendas e símbolos, mas não seu protagonista absoluto. Ao longo dele desenvolvem-se as várias técnicas e linguagens da arte, da musicalidade e ordem em Saraceni e Poussin à atmosfera densa de Delacroix. Apesar de os temas narrativos serem objeto de atenção no material informativo à disposição do público, convém lembrar que o tema por si só não é arte. A arte está no olhar que o artista empresta ao tema. Este é, porém, um passaporte para se entrar na obra, um enigma diante do qual não queremos que o visitante, como os tebanos diante da Esfinge, sucumba.
Roberto Carvalho de Magalhães
Curador
MASP
Av. Paulista, 1578 – São Paulo – SP
tel. (11) 3251.5644 / Fax. (11) 3284.0574
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Horário de funcionamento
Quinta-feira, das 11h às 20h
Terça, quarta, sexta, sábado, domingos e feriados, das 11h às 18h.
(a bilheteria fecha com uma hora de antecedência)
Agendamento para grupos e escolas agendamento@masp.art.br
Ingressos
R$15,00 (inteira) e R$ 7 (estudante com identificação da instituição)
Entrada franca somente as terças
grátis para menores de 10 e maiores de 60 anos
mais informações em: http://masp.uol.com.br/
oi adorei sobre a escola de rock e sobre o MASP tchau