Olá a todos que lêem e visitam esse blog. Primeiramente, os leitores assíduos (há algum?) notarão que não escrevo há muito tempo. É que agora sou uma universitária…como se isso fosse desculpa.
Aqui vai mais uma pequena narrativa, que faz parte dos “Drops”, iniciado com esse post . Aquele tinha gosto de saudade, esse, tem um sabor mais que de vestibular, de começo, de princípio de uma nova etapa. Como o FASES.
Bom, chega de lero lero.
Joana acordou de sobressalto. Puxou o lençol de cima do corpo e foi ao banheiro, pouco tempo depois já havia se trocado. Desceu as escadas rapidamente. Tomou um copo de café com leite, despediu-se dos pais que ainda tomavam café e saiu.
O ônibus parecia demorar demais, justamente nesse dia. Sentiu algumas vezes aquela ansiedade, aquele frio na barriga, acompanhados de um impulso de roer as unhas que acabou em lascas de esmalte arrancadas.
Respirou fundo. Agora era o trânsito que não parecia ajudar. Certo, ele nunca estava bom, mas naquele horário? Suspirou, olhou no relógio: 11 horas.
Apenas uma hora. Talvez em meia hora chegasse ao curso, onde as amigas a esperavam, para aguardarem todos juntos o resultado da FUVEST.
Foi com alívio que viu o prédio. Desceu do ônibus. Atravessou a rua da avenida movimentada. Cinco pro meio-dia, segundo seu relógio. Atrasada, pra variar um pouco. Avistou uma multidão aglomerando-se contra a parede. O frio na barriga e o impulso de roer as unhas eram muito mais intensos. Ela foi até a multidão, para tentar achar suas amigas e procurar seu nome.
Contudo, por mais que tentasse ver seu nome, as pessoas simplesmente a empurravam. De repente, se viu como que sendo sufocada por aquela multidão, parecia que estavam puxando-lhe os pés para dentro de algum tipo de pântano. A pequena porção de lista (apenas o papel branco) e de parede (com pessoas debruçadas sobre) foi diminuindo…
Joana acordou de sobressalto. Não conseguia ver seu nome na lista fixada na parede, aquele sonho fora mais que perturbador. Por que tantas pessoas? Além disso, ela não conseguia esquecer aquela sensação de quem está sendo tragado e sufocado simultaneamente. Um arrepio percorreu suas costas. Fora apenas um sonho, não precisava preocupar-se com nada.
Enquanto estava debaixo do chuveiro, enxaguando a espuma do sabonete de lavanda, Joana pensou que seria melhor desmarcar com as amigas e ver o resultado em sua casa mesmo, pela internet. Parou de se ensaboar por alguns instantes após ter esse pensamento. Como aquele sonho podia ter tamanho efeito sobre ela? Em seguida, passou a negar para si própria que aquilo era influência do sonho. Na verdade, era melhor, vai que ela não passava? Ia ter o trabalho de ir até lá à toa.
Mandou mensagem para as amigas, e foi tomar café. Seus pais já haviam saído e haviam deixado um recado, avisando que, se houvesse necessidade, ela devia ligar para eles.
Tomou o café com leite sem colocar açúcar. Comeu duas fatias de pão com margarina e geléia de maneira mecânica. Ligou a televisão, pegou o jornal, não, nada da lista de aprovados. Ela teria que entrar no site da FUVEST pra conseguir procurar seu nome. Largou o jornal, foi ao escritório, sentou-se abruptamente em frente ao monitor que parecia demorar-se mais do que de costume para ligar.
Acessou a página, sua companheira desde o 2º ano de Ensino médio. Suspirou mais uma vez, a lista só sairia por volta do meio dia. Desligou o computador, porque, se conhecia bem a si mesma, cairia na tentação de conferir o site a cada 15 minutos.
Foram alguns dos minutos mais longos de sua vida. Ela se dava conta disso meio contrariada. Por que aquela prova adquirira tanta importância na sua vida? Será que ela representava mesmo um sonho? Será que ela estava pronta? Mas não era absurdo alguém decidir um curso que determinaria o que vai “fazer da vida” aos 17 anos de idade?
O relógio marcava: cinco minutos para o meio dia. Ela desceu as escadas correndo, como estava acostumada a fazer. Ligou o computador. Esboçou um sorriso cético no rosto. Havia problemas com a conexão. Justamente hoje, pensou, estão de brincadeira comigo, só pode ser. Tentou apelar pra internet discada, em vão, pois o computador estava desconfigurado.
Sentada no sofá, em frente à televisão desligada, via seu reflexo na tela. Patética, pensou. Pegou seu celular e tentou conectar-se à internet por ele. Em vão, mais uma vez. Ficou a esperar, sem nada mais fazer, olhando a cada minuto para seu relógio desgastado no pulso. Estremeceu um pouco, já era meio dia, deviam ter soltado a lista.
Meio dia e cinco, nenhuma ligação. Se tivesse passado, já teriam te ligado, se ninguém ligou, era lógico, não havia passado…
Era uma hora da tarde quando seu celular tocou, alguém gritando “Parabéns!” do outro lado da linha, chegou a cogitar a possibilidade de trote. “Quem é?”. Seu amigo identificou-se.”Parabéns? Por quê?” – perguntou. “Parabéns, você Passou na USP”. Joana não agüentava de felicidade, perguntou de outras pessoas, conhecidos em comum, se haviam passado. Infelizmente não, ele respondeu. Ela desligou o telefone, e começou a gritar e a pular de felicidade.
Joana acordou de sobressalto…
Nha, sim! Um post novo, finalmente. Não que eu esteja te cobrando nem nada, eu sei que andas ocupada. Mas é que eu adoro ler as coisas daqui.
Eu me identifico com o seu texto. É o meu estilinho de ecrever, e ainda o final… Puxa, quantas vezes eu já não dei um final desses para um texto meu!
Ah, e eu me identifico com a história também. Pra você já deu né, agora eu sou a próxima… Ui.
Beijos, até amanhã!
Cellita Darling!
Don’t worry about that. Eu entendi, e prometo q vai ter mais coisas saindo do forno confuso que é a minha cabeça.
Eu gosto da idéia de sonho e de repetir o “joana acordou…”. Um conto da Clarice Lispector mostra isso de forma marcante, chama “a quinta história”, e pra variar, tem baratas nele.
Não se preocupe que a sua hora e a sua vez hão de chegar (como no conto do Sagarana, de Guimarães Rosa). Desculpe-me pelo excesso de referências. Não pude me conter.
beijo
olá, vim retribuir sua visitinha ;]
parabéns, você escreve muito bem!
beijocas ;*
Obrigada pela visita!
hahaha, gentileza sua.
beijão =D