A falta de tempo aliada com o fato de que tenho textos que fiz há algum tempo aqui em casa, levaram-me a cair na tentação de postar umas coisas mais “antigas”, algumas que eu fiz para fins escolares até. Mas, espero que considerem minha (boa?) intenção e dou continuidade aos drops.
Talvez alguns de vocês se lembrem do caso da astronauta da NASA, Lisa Nowak, que foi presa por ciúme doentio em 2007. Lisa tentou seqüestrar e agredir a engenheira militar Collen Shipman, por ela ser sua rival numa disputa amorosa envolvendo William Oefelein, piloto da nave Discovery numa missão em dezembro de 2006.
Baseando-me nessa notícia de jornal que continha informações sobre esse caso, escrevi um pequeno conto (?).
Astronauta ciumenta tenta atacar rival ORLANDO (EUA)
- A astronauta da agência espacial americana (Nasa) Lisa Nowak, de 43 anos, que integrou a tripulação do ônibus espacial Discovery em julho de 2006, vai ser indiciada por tentativa de assassinato após tentar seqüestrar e agredir a engenheira militar Colleen Shipman na última segunda-feira. Segundo ela, Colleen seria sua rival na disputa pelo amor de outro astronauta. Agora, Lisa terá que levar junto ao corpo um dispositivo de rastreamento por satélite
O homem no meio do triângulo amoroso é o oficial da Marinha William Oefelein, piloto da nave Discovery durante uma missão em dezembro. Lisa, que tem três filhos e é casada com um capitão da Marinha, foi detida após viajar de sua casa em Houston, no Texas, até Orlando, na Flórida, onde mora Colleen. Usava uma peruca e um sobretudo para esperar Colleen, que viria num vôo vindo de Houston. Interrogada, Lisa afirmou que foi de Houston a Orlando sem parar (a distância é de 1.600 quilômetros), usando uma fralda para não ter de ir ao banheiro. Chegando na cidade, ela seguiu Colleen até o seu carro, que estava parado num estacionamento.
Segundo o relato de Colleen, Lisa tentou entrar em seu carro e a atacou com um spray de pimenta, causando uma perda momentânea de sua visão. Já no carro de Lisa foram encontradas uma carta que descreve seu amor por Oefelein, além de e-mails entre ela e o astronauta. Lisa afirmou que seus contatos com Oefelein eram ½algo mais que uma relação de trabalho, porém menos que uma relação amorosa”.
Oefelein é solteiro, mas, segundo uma biografia da Nasa, tem dois filhos. Um porta-voz do Departamento de Polícia de Orlando afirmou que ½é um caso muito triste. É uma pena que agora ela esteja do outro lado da lei.” Já o porta-voz da Nasa no Centro Espacial Johnson, em Houston, informou que até o momento a condição de Lisa como astronauta da agência espacial não mudou.
A astronauta tem mais de 1.500 horas de vôo em 30 tipos diferentes de aeronave. De acordo com o jornal americano Orlando Sentinel, Colleen é engenheira no 45º Esquadrão de Apoio a Lançamentos, em uma base próxima ao Centro Espacial Kennedy.
Um pouco tarde demais
Naquela manhã fria de 2ª feira, Lisa acordou mais cedo do que de costume, levantou-se da cama e olhou indiferentemente para o homem que ainda dormia. O homem com quem dividia o sono e a casa, aquele chamado por “marido”.
Marido que, supostamente, deveria fazê-la feliz, apóia-la amá-la, “na alegria, na tristeza, na saúde, na doença, até que…”. Coisas ditas num dia que parecia distante da rotina sem graça a que estavam atrelados agora.
Ela tomou banho, vestiu uma roupa confortável, tomou café rapidamente e deu um beijo nos filhos. Entrou no carro e deixou o motor aquecendo, subiu ao quarto e pegou a bolsa e a sacola com as compras feitas no dia anterior.
Ao fechar a porta de casa, esboçou um meio sorriso, satisfeita de ter planejado tudo antecipadamente e de ter executado com perfeição. O marido acordaria e levaria as crianças ao colégio, crianças estas que acharam normal quando contou sobre a viagem a trabalho, acostumadas com a ausência da mãe.
Entrou no carro e dirigiu quarenta quilômetros, fora de sua cidade, parou no posto de gasolina, foi ao banheiro e voltou a dirigir. Era dia vinte e seis. Fazia seis meses, seis meses que pareciam ser melhores do que os últimos catorze anos de casamento. Eram colegas de trabalho, mas de uma hora para a outra ele se tornara seu pilar, sua sustentação, uma fonte de alegria em sua vida sem graça.
Entretanto, nas últimas semanas, ela percebera que ele estava distraído, inquieto até mesmo.
Collen não tinha esse direito, de deixá-lo desconcertado, de ocupar o tempo dele, de rir junto a Oefelein. Para ela, ele era apenas uma distração, um rosto que se juntaria a outros da tripulação em sua memória. Enquanto que para Lisa, ele era sua chance de ser feliz, o estopim para o pedido de divórcio, uma vida feliz a dois.
Lisa foi encontrada morta mil quilômetros de sua casa, a seiscentos metros da residência de Collen. Morreu num acidente de caro, ao fazer uma curva acentuada na ponto de Houston. Descartou-se a hipótese de suicídio, pois, junto a ela, foi encontrada uma agenda na qual escrevera sobre seu relacionamento com Oefelein, seu casamento infeliz e o minucioso plano de deter Collen.
texto de 27 de fevereiro de 2007, modificações 21 de março de 2009