momentos

foto de Max Wanger -encontrada aqui cujo link vc encontra na coluna lateral do blog

Talvez eu esteja sendo repetitiva, acho que isso acontece quando se tem um blog há algum tempo. Mas, às vezes, me deixo levar por meus pensamentos e acabo tendo digressões quite interesting que gostaria de compartilhar aqui.

Está aí outra coisa: compartilhar aqui. O que mais me surpreende é a repercussão que certos posts tem (enquanto outros não), é ver num post comentários de amigos que se identificaram com a situação, receber pelo facebook mensagens de pessoas que entraram no blog pela primeira vez e falaram que o post tinha ‘tudo a ver’ com o momento pela qual estava passando.

Pois bem, vamos ao pensamento propriamente dito. Percebi que uma das coisas o que mais valorizo numa amizade são momentos específicos, momentos que tenham me marcado de alguma maneira. Explico: tem pessoas com as quais se convive todos os dias, e o afeto por elas é quase natural. Algo acontece, uma mudança, e você deixa de vê-la, mas percebe – com muita culpa – que não sente tanta falta dela assim.

Cruel? Não sei, só sei que percebi isso há pouco tempo. 

Por outro lado, há pessoas com as quais você não necessariamente conviveu muito tempo, mas o tempo foi suficiente para que compartilhassem de um momento juntas, uma vivência, uma conversa, um segundo de total conexão que não se vê com frequência – pronto, dessas a saudade costuma ser grande, e é por essas que sinto mais saudade.

O mais irônico de tudo isso (como tantas outras coisas na vida) é que para essa outra pessoa, talvez, aquele ‘momento’ nunca existiu. Há sempre esse risco, na minha opinião - embora haja pessoas que falam que, quando essa ligação ocorre, ambos os lados a percebem. Esse tal momento de que falei tem a ver com o que uma personagem de Waking Life discorre sobre a comunicação

 ” E, ainda assim, quando nos comunicamos uns com os outros…e sentimos ter feito uma luigação, e termos sido compreendidos, acho que temos uma sensação quase como comunhão espiritual. Essa sensação pode ser transitória, mas é para isso que vivemos’

Bom, para mim, percebi que é assim que funciona – mas não se trata apenas de um mesmo assunto sendo discutido, de interesses em comum, realmente, não sei explicar. Pode ser uma tarde de desabafo sob uma árvore, enquanto as pessoas estudam igual loucas. Pode ser momentos aguardando a carona chegar que dão oportunidade para uma conversa aparentemente sem pé nem cabeça. Pode ser um abraço com os corações a bater no mesmo compasso; enfim, são desses momentos que nos despertam de nossas rotinas, do marasmo, e com certas pessoas que mais sinto falta.

Ainda mais quando a pessoa se muda de cidade, de país, de bairro, sai do cursinho, e da sua vida. Simplesmente a possibilidade de voltar a ter aquele momento de ligação – transitório, frágil – se esvai completamente e uma sensação de desolação e verdadeiro desconsolo, acaba por vir.

Mas acredito que outros momentos ainda estão por vir – sempre.  

E esse aqui vai pro Franklin, que sumiu da minha vida de repente – e que provavelmente nem vai ler isso.  E para todos aqueles com os quais compartilhei momentos especiais. – inclusive os de rotina. 

 

 Mais sobre Waking Life?

Mais sobre sentimentos e etc? veja a tag Drama Queen.

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Sobre Larissa Oyadomari

Chata, cri-cri, e difícil de lidar. Paulistana que retorna à cidade depois de afastada por alguns anos. Estudante de História, interessada pela vida. ...y otras cositas más.

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