Um método perigoso

Foi com alguma (ok, grande) expectativa que me dirigi ao cinema (depois de longo jejum, tendo em vista os preços exorbitantes) para assistir ao filme “Um método perigoso” , do diretor David Cronenbergh. Não havia visto o trailer, e, vendo-o somente agora percebo como vende uma ideia – que eu achei – enganosa sobre o filme.
Anima Mundi

Minhas férias acabam essa segunda, dia 2 de agosto. Incrível como passou rápido. Como as listas de leitura resultaram em apenas um livro lido (inteiro), e alguns começos de leituras…
Pelo menos, quanto aos filmes e saídas culturais, as boisas foram bem, muito bem.
Se você também está com os dias (ou melhor UM dia) de férias contado, corra para aproveitar o Anima Mundi, que acaba amanhã.
A programação você encontra no site deles mesmo: www.animamundi.com.br
As instalações no Memorial estão um primor. Com oficinas, e comidinhas diversas, de cachorro quente até yakisoba.
À tarde, muitos casais com crianças, à noite pessoal mais jovem, gente que saiu do trabalho, pegou o metrô, desceu na estação Barra Funda e foi direto pra lá.
Assisti aos Curtas 7 e Curtas 8 no dia 29. Aqui vão meus favoritos:
“Quando sua mãe vira uma fera…muita coisa muda”
Der Kleine und das Biest
Johannes Weiland; Uwe Heidschötter
2010 / Alemanha
The Lost Thing
Andrew Ruhemann; Shaun Tan
2010 / Austrália; Reino Unido
Rip, Drip, Tear
Janette Goodey
2010 / Nova Zelândia

Serenade
Lee Han Bit
2010 / Coreia do Sul
Stanley Pickle
Victoria Mather
2010 / Reino Unido
Corre que dá tempo! Ainda dá pra assistir aos curtas acima na Fund. Memorial da América Latina – Sala 3 31/07/2010-19:30.
Les Ventres
Philippe Grammaticopoulos
2010 / França
Hog
David Webster
2010 / Austrália
Menina da Chuva
Rosaria
2010 / Brasil

Videogioco a loop experiment
Donato Sansone
2010 / Itália
La Vénus de Rabo
François Bertin
2010 / França
Seed
Ben Richardson; Daniel Bird
2010 / República Tcheca; Estados Unidos
Formic
Roman Kaelin; Florian Wittmann
2010 / Alemanha
Kurosawa
Praticamente tudo que sei (ainda que pouco) sobre cinema, aprendi pelos artigos publicados no Caderno 2 do Estadão, dia 23 de março, foi comemorado o centenário de Akira Kurosawa. Luiz Carlos Merten (sou grande fã dele) escreveu um artigo que reproduzirei em partes aqui.

imagem daqui
Meu primeiro contato com Kurosawa foi em 2008, por meio de um amigo. Assisti a Sanjuro, Yojimbo, e Ikiru. Este último me marcou bastante, ficou um bom tempo na minha cabeça. Confesso que tenho que revê-los para poder comentá-los novamente, pois às vezes os dois primeiros misturam-se nas minhas memórias.
“Filho de militar, Akira Kurosawa queria ser pintor. Para financiar seu sonho, começou a trabalhar na empresa de cinema Toho, como assistente. Em 1943, estreou na direção com A Saga do Judô. Essa primeira parte da carreira é marcada pelos temas contemporâneos. Juventude sem Arrependimento, O Anjo Embriagado, Duelo Solitário – também conhecido como A Luta Solitária -, Cao Danado. Em 1951, Jurosawa realiza Rashomon e sua história de samurais recebe o Leão de Ouro em Veneza. O Ocidente descobre o cinema japonês. No ano seguinte, o grande diretor volta aos temas contemporâneos com Viver (Ikiru). Em 1954, volta a Veneza com Os sete samurais e recebe, desta vez, um Leão de Prata, correspondente ao prêmio do júri, compartilhado com Federico Fellini (A Estrada da Vida), Elia Kazan (Sindicato de Ladrões) e outro grande diretor japonês, Kenji Mizoguchi (O Intendente Sansho).
Referências. Os anos 1950 assistem à sua consagração internacional, mas, no Japão, Kurosawa provocava polêmica. É considerado ocidental demais. Suas referências são a literatura ocidental – os russos, Gorki, Dostoievski etc, e Shakespeare; e Hollywood. Há um pouco de western em seus filmes de samurais – e o cinema norte-americano se apropria deles, John Sturges adapta Os Sete Samurais, que vira Sete Homens e Um Destino e a maneira de trabalhar musicalmente as cenas vai inspirar o italiano Sergio Leone, que se baseia em outro grande filme de Kurosawa, Yojimbo, para dar início à vertente do spaghetti western, com Por um Punhado de Dólares. Rashomon também vira As quatro confissões, de Martin Ritt. A fase final é marcada por obras testamentais – o ecológico Dersu Uzala, Kagemusha, a Sombra do Samurai; Ran, que se baseia no Rei Lear; e Madadayo.
Kuraosawa ganha os maiores prêmios do mundo – a Palma de Ouro em Cannes, o Oscar de Hollywood. No Japão é chamado de Imperador. Em meados dos anos 1960, ele rompe com seu ator fetiche, Toshiro Mifune. A história desse rompimento artístico e humano inspira um livro que se lê como um romance monumental – The Emperor and the Wolf, O Imperador e o Lobo. Mestre do paradoxo e do movimento, Kurosawa morre em 1998, aos 88 anos, consagrado como um dos maiores artistas do cinema.”
Depoimento de Walter Salles: “Kurosawa foi, com Ozu e Mizoguchi, um dos pais do moderno cinema japonês, e também um dos grandes mestres do cinema do século 20. Coppola disse uma vez que “o que melhor define Kurosawa é o fato que ele não dirigiu uma ou duas obras-primas, mas oito”. Poucos cineastas adaptaram autores como Shakespeare, Kawabata e Dostoievski com tanta propriedade. Trono Manchado de Sangue (inspirado em Macbeth), Ran (em Rei Lear), Rashomon (Kawabata) são excepcionais. Transitou por vários gêneros com a mesma pertinência, do épico (Os Sete Samurais) ao noir (Céu e Inferno). Muitas vezes criticado por ser o mais ocidental dos diretores japoneses do pós-guerra, foi também o que mais influenciou europeus ( de Leone a Herzog), americanos (de Scorcese a Coppola) e asiáticos (John Woo). Se a sua obra resiste tão bem, talvez seja por ser permeada por estranho paradoxo: de um lado, um extremo ceticismo; do outro, a crença no humano.”
Publicado originalmente no Caderno 2 do Estadão.
Deixe seu recado após o sinal