Atualizações musicais
No post ‘hold me in your arms’, escolhi a música “Solitude”, em performande de Billie Holiday para acompanhar, mas acho que a mais adequada seria “A house is not a home”, se levarmos em conta os primeiros versos.
A House Is Not A Home
Aqui vão algumas opções de versões (a segunda, a gravação é muito boa, e segundo li, foi a que consagrou a música, teria sido a primeira gravação):
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Uma coisa que é estranha, o post anterior, ‘Procura-se’ é um dos escritos mais pessoais que postei aqui, entretanto, ‘no feebcaks so far’. Talvez soe muito como Drummond? Ou então muito pessimista? É algo tipo sentimento de mundo mesmo, escrito num intervalo de aula, de uma vez só, com algumas alterações feitas a posteriori.
Por ora é só. Quase no fim do semestre. Correria é pouco.
Procura-se
Procura-se
Procura-se desesperadamente alguém que ensine a fingir.
Que me ensine a ignorar os meninos no semáforo, a bater no vidro,
Ensine-me a torná-los invisíveis para mim também.
Que me ensine a ser indiferente ao cego que pede gentilmente,
Quase cantarolando no caminho em que passo ‘Dá uma ajuda pro cego?’
Que ensine meus olhos a não marejar por essas cenas (ainda) enxergar.
Procura-se desesperadamente alguém
Que me ensine a olhar as crianças em apresentações na escola e não me emocionar.
Porque não é na geração deles que encontrarei uma saída
Se esse alguém me ensinar, e eu assim fizer, não vou me desapontar.
Que me ensine a passar por pessoas na rua e não me sentir uma cretina egoísta, culpada
Por não estar fazendo nada para mudar aquilo que (ainda) vejo
Que me ensine a estampar no rosto uma expressão de segurança e certeza,
Sempre que perguntada sobre alguma escolha minha.
Alguém que ensine a não mostrar cada emoção.
Alguém que me ensine a técnica da dissimulação.
Procura-se desesperadamente alguém que me ensine a ser estúpida.
12/08 rascunho – alterações 4/09
(des)consolação
Início da série ‘Brisas no busuca’, pensamento, idéias que surgiram dentro de ônibus, durante o transito e no contato (por vezes demasiado íntimo) proporcionado por nosso sistema de transporte público.
(Des)consolação
E, sem consolação,
Sob um sol de verão,
Os vivos invejam os mortos.
Os mortos fizeram surgir a árvore,
Árvore que oferece a sombra
Sombra dos mortos invejada pelos vivos.
Mas não, não mais a sombra
É motivo de inveja,
Pois os vivos já não vivem
Apenas vagam vazios pelos vagões.
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