despedidas
Depois de meses estou de volta a esse blog que tem existido sofregamente nos últimos quatro anos. Não tive, e deixo isso claro, nenhuma inteção de abandoná-lo. A vida corrida me levou a isso, clássica fala minha quando não quero assumir, mas claro que sou responsável por isso.
Mas a despedida do título do post não é um adeus ao blog, é o tema dos dois textos que publico aqui hoje. Dois de uma vez, ideias nas quais trabalhei ao londo desse tempo em que fiquei sem publicar nada. E espero que gostem.
O tema é despedida – algo que sempre esteve na minha cabeça. E talvez, pelo fato de três pessoas queridas terem se mudado para longe essas ideias e sentimentos apareceram transformados nos dois textos que lhes ofereço mui singelamente.
Os rituais são outra coisa que sempre me incomodaram: são realmente tão importantes – festas de aniversário, colação de grau, festa de despedida, uma despedida ‘formal’ sabendo-se que aquela será a última (pelo menos por um bom tempo)? E foi a partir dessas coisas que escrevi.
Antes disso só queria agradecer aos amigos queridos que aturam meu mau-humor por ficar tanto tempo sem escrever e que me aconselham e apoiam. Especialmente aos da faculdade com quem tenho convivido mais ultimamente. Talvez essa grande pausa tenha me feito perceber (e acho que o filme que assisti ontem:O ninho vazio de Daniel Burmam - que dentre outras coisas fala do ato de escrever): I am not ready to give up writing.
Os textos serão publicados em posts separados.
Especialmente aos que nos últimos dias mais me aturam: Si, Tiago, Acainã. Se eu não citei seu nome, isso só significa que tem sido poupado das minhas implicâncias ultimamente ;)
momentos

foto de Max Wanger -encontrada aqui cujo link vc encontra na coluna lateral do blog
Talvez eu esteja sendo repetitiva, acho que isso acontece quando se tem um blog há algum tempo. Mas, às vezes, me deixo levar por meus pensamentos e acabo tendo digressões quite interesting que gostaria de compartilhar aqui.
Está aí outra coisa: compartilhar aqui. O que mais me surpreende é a repercussão que certos posts tem (enquanto outros não), é ver num post comentários de amigos que se identificaram com a situação, receber pelo facebook mensagens de pessoas que entraram no blog pela primeira vez e falaram que o post tinha ‘tudo a ver’ com o momento pela qual estava passando.
Pois bem, vamos ao pensamento propriamente dito. Percebi que uma das coisas o que mais valorizo numa amizade são momentos específicos, momentos que tenham me marcado de alguma maneira. Explico: tem pessoas com as quais se convive todos os dias, e o afeto por elas é quase natural. Algo acontece, uma mudança, e você deixa de vê-la, mas percebe – com muita culpa – que não sente tanta falta dela assim.
Cruel? Não sei, só sei que percebi isso há pouco tempo.
Por outro lado, há pessoas com as quais você não necessariamente conviveu muito tempo, mas o tempo foi suficiente para que compartilhassem de um momento juntas, uma vivência, uma conversa, um segundo de total conexão que não se vê com frequência – pronto, dessas a saudade costuma ser grande, e é por essas que sinto mais saudade.
O mais irônico de tudo isso (como tantas outras coisas na vida) é que para essa outra pessoa, talvez, aquele ‘momento’ nunca existiu. Há sempre esse risco, na minha opinião - embora haja pessoas que falam que, quando essa ligação ocorre, ambos os lados a percebem. Esse tal momento de que falei tem a ver com o que uma personagem de Waking Life discorre sobre a comunicação
” E, ainda assim, quando nos comunicamos uns com os outros…e sentimos ter feito uma luigação, e termos sido compreendidos, acho que temos uma sensação quase como comunhão espiritual. Essa sensação pode ser transitória, mas é para isso que vivemos’
Bom, para mim, percebi que é assim que funciona – mas não se trata apenas de um mesmo assunto sendo discutido, de interesses em comum, realmente, não sei explicar. Pode ser uma tarde de desabafo sob uma árvore, enquanto as pessoas estudam igual loucas. Pode ser momentos aguardando a carona chegar que dão oportunidade para uma conversa aparentemente sem pé nem cabeça. Pode ser um abraço com os corações a bater no mesmo compasso; enfim, são desses momentos que nos despertam de nossas rotinas, do marasmo, e com certas pessoas que mais sinto falta.
Ainda mais quando a pessoa se muda de cidade, de país, de bairro, sai do cursinho, e da sua vida. Simplesmente a possibilidade de voltar a ter aquele momento de ligação – transitório, frágil – se esvai completamente e uma sensação de desolação e verdadeiro desconsolo, acaba por vir.
Mas acredito que outros momentos ainda estão por vir – sempre.
E esse aqui vai pro Franklin, que sumiu da minha vida de repente – e que provavelmente nem vai ler isso. E para todos aqueles com os quais compartilhei momentos especiais. – inclusive os de rotina.
Mais sobre Waking Life?
Mais sobre sentimentos e etc? veja a tag Drama Queen.
Crescer

foto tirada por mim no Jardim Botânico de SP
O título desse post pode (e provavelmente vai) causar estranhamento. Os amigos que me conhecem sabem que há tempos deixei de crescer (fisicamente falando, para cima).
Mas eu quero falar desse outro crescer, do amadurecer, do se tornar ‘all grown up’, adulto. Oficialmente falando, nós nos tornaríamos adultos, pelo menos pela marcação anglo-saxônica do inglês, quando não somos mais ‘teen’, seria portanto aos twenty.
Lembro que, quando criança, eu não queria crescer (literalmente), não queria me tornar adulta, pois os adultos, eu pensava, tem muitos problemas e preocupações, então eu não queria ser uma deles.
Em conversa recente com amigos, um recém-adquirido mas já mui-querido amigo disse que, quando tinha uns 10 anos, teve uma ‘crise existencial’. Ele percebeu que deixara de brincar com certos brinquedos, não tinha mais vontade, de uma hora para a outra. Ele não entendia o motivo de tal mudança. Isso o intrigava.
Temos aquela fase em que escutamos dos nossos pais que já somos ‘grandinhos o bastante’ para certas coisas, entretanto, ao mesmo tempo, somos ‘pequenos demais’ para outras. E com o tempo vem as responsabilidades de escola, e aprendemos que temos que responder por nossos atos.
Adultecer é, de certa forma, ser livre. (E lembro agora das minhas leituras da faculdade, Hegel, a única obrigação é ser livre, a inevitabilidade da liberdade). E com tal liberdade, vem as escolhas, tomar decisões e assumir as consequências. ’Adultecer’ seria perceber que escolher é perder?
Ou seria como aquele trecho do famoso discruso de formatura ‘use filtro solar’, um hit, quando eu estava nos últimos anos do fundamental: aprenda que há amigos que vão e que vêm, mas que há aqueles que se guarda para toda vida.
Se isso é verdade, não sei, só o tempo dirá, mas a impressão que me fica é a de que crescer, amadurecer é também ter que aceitar que as pessoas vem e vão, e, que, por mais meios virtuais que existam para tentar garantir uma ‘amizade dessas que permanecem através do tempo’ nem sempre a vontade de fazer com ela dure é recíproca.
E com o passar dos tempos, nem sempre aqueles que consideramos os ‘dearest’ são os que podem se manter ‘nearest’. Uma semana esão morando no seu bairro, e na semana seguinte se mudaram pra Botucatu, porque passaram na faculdade. Às vezes, temos agradáveis surpresas, como amigos queridos retornando para perto de nós. Mas a vida corrida não permite que os encontros sejam tão recorrentes, nem na faculdade nos aproximamos daquela estabilidade da vida escolar, de ver as pessoas todos os dias.
Não tenho conclusões, nem as ouso ter, do ‘alto’ de meus quase vinte anos. Se às vezes me sinto adulta, e tendo passado por tanto, outras vezes me sinto tão pequena, tão imatura, tão… com muito a aprender.
Mas acho que isso lembra aquele ditado de que viver é eterno aprendizado, e talvez estejamos sempre em crescimento constante.
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